sexta-feira, 29 de julho de 2011

Jantar com uma Rapariga

Semana de boas notícias: a CAPES me contemplou com apoio financeiro para minha pesquisa de doutorado e meu Diretor Geral votou a favor de meu afastamento. Faltam poucos passos para que eu possa passar cinco meses na Occidental Praia Lusitana para finalizar minhas pesquisas.

Para comemorar o avanço, resolvi abrir uma Rapariga da Quinta, da região do Alentejo (Além do Rio Tejo, ao sul dele, para ser mais exato).

Mas chega a dar dó abrir um vinho e tomar ele sozinho... resolvi cozinhar algo. Tendo em vista que a Dona Cintia Cliff Godoi não passa por aqui tem tempos e deixou nosso blog às moscas, achei que poderia postar as boas comidas.

Refoguei meia cebola picadinha e uns bons dentes de alho (acabou meu alho picado e estou usando os dentes in natura. Incrível como o sabor é melhor!) em azeite de oliva. Adicionei meio quilo de filet mignon picadinho e deixei em fogo médio. Adicionei salsinha e cebolinha desidratadas, pimenta calabresa, pimenta-do-reino branca e preta e sementes de mostarda, e deixei refogar, até a carne estar cozida e o líquido seco. Deixei mais um pouco para dar aquela 'queimadinha' no fundo da panela. Neste momento, coloquei sal, um pouquinho de shoyu e um tanto bom da Rapariga. Deixei o álcool evaporar e desliguei o fogo. Ficou pronto meu picadinho picante.

Em paralelo, hidratei um punhado de funghi secchi em água morna por uns 20 ou 30 minutos. Funghi secchi, do italiano, fungo seco, algum cogumelo local desidratado. refoguei meia cebola e dois dentes de alho em manteiga - hummm, adoro manteiga - até dourar. Coloquei o funghi já picado e hidratado para refogar por uns dois minutos e, a seguir, o arroz arbóreo. O arroz refogado, uma taça de vinho adicionada, coloca-se um caldo quente, da preferência de quem faz até que o arroz esteja cozido. 

Hoje usei a própria água que hidratei o funghi, adicionada de salsinha, cebolinha, shoyu e sal. Poderia ser um caldo de carne, de legumes, de galinha ou outro....

Uma saladinha de alface, rúcula e tomatinho-cereja completou a trinca.



A rapariga encontrou uma bela companhia.

Sílvio

terça-feira, 31 de maio de 2011

Alho na conserva

Alho é uma delícia, mas é um saco descascar, picar, amassar. Deixa cheiro na mão... TRISTE!

Aprendi, em Uberlândia, a fazer uma conserva. Pode-se usar em qualquer prato, como se fosse o alho in natura, com uma diferença: é menos picante, pode ser comido até cru, mas sem deixar de dar sabor à comida que é preparada com ele.

Pode-se colocar em molhos, saladas, sopas, direto do pote de conserva.

Ao preparo: descasca-se o alho (ou compre descascado, como eu fiz), lava-se e joga-se em água fervente por um ou dois minutos. Retira-se da água fervente e joga-se em água gelada. Após retirar da água gelada, seca-se em pano limpo ou papel toalha seco e dispõe-se em um vidro limpo.

Em paralelo, fervem-se partes iguais de água e vinagre, com uma colher de café sobremesa de sal para cada meio litro de líquido. Fervido, despeja-se o líquido sobre o alho. Dura um bom tempo!



Sílvio Barbosa

Creme de milho com linguiça defumada

Esse nem vai ter muita história.

Meio do ano significa noite fria, ao menos no centro-sul do Brasil. Aqui em Brasília coincide com a época menos úmida, então, à  medida que a noite cai, a temperatura cai junto. Neste tempo, nada melhor que algo quentinho para comer depois do trabalho.

A comida do centro-sul - particularmente Minas, São Paulo, Paraná, Goiás, Matos Grossos - é rica em pratos com milho. Pamonhas, mingaus, bolos, cuscuzes, sopas, broas, pães, bolinhos.... ai que fome!

Quebra do Milho
Pena Branca e Xavantinho


Mês de agosto                                                          
é tempo de queimada
Vou lá prá roça
preparar o aceiro
Faísca pula
quem nem burro brabo
E faz estrada lá na capoeira
A terra é a mãe,
isso não é segredo
O que se planta
esse chão nos dá
Uma promessa
a São Miguel Arcanjo
Prá mandar chuva
pro milho brotar...
Passou setembro,
outubro já chegou
Já vejo o milho
brotando no chão
Tapando a terra
feito manto verde
Prá esperança do meu coração
Mês de dezembro,
vem as boas novas
A roça toda já se embonecou
Uma oração
agradecendo a Deus
E comer o fruto
que já madurou...
Mês de janeiro,
comer milho assado
Mingau e angu
no mês de fevereiro
Na palha verde
enrolar pamonha
E comer cuscuz
durante o ano inteiro
Quando é chegado
o tempo da colheita
Quebra de milho,
grande mutirão
A vida veste sua roupa nova
Prá ir no baile lá no casarão...


Então, num dia frio desses, de posse das lembranças do centro-sul mais roots - Brasília tem tudo isso, mas não é a mesma coisa, resolvi fazer um creme de milho.

Como não tenho espigas de milho frescas do quintal, bati uma lata de milho, sem o caldo, no liquidificador com um pouco de água, mais ou menos 3/4 da lata. Refoguei um pouco de alho no azeite e despejei o milho batido. Temperei com salsinha, sal, pimenta, e deiei apurar. O creme está pronto. Quem quiser, pode colocar um pouquinho de creme de leite.



Em paralelo, grelhei pedaços de linguiça de fumada (que trouxe de Goiás) e coloquei no fundo de uma caneca. Cobri com o creme pronto e, salpiquei com uma mistura de queijo parmesão ralado e ervas secas. Comi e fui dormir feliz.




Sílvio Barbosa

Pomodori alla griglia

Do bom e velho italiano significa: tomate na grelha.

O tomate, procedente da américa, atravessou o atlântico com as grandes navegações e fez, na Itália, uma revolução. Pratos mil preparado com esse fruto vermelho e adocicado: molhos, saladas, conservas.

O de hoje é simples, não sei como classificar. Mas fica bem gostoso:

Partem-se tomates italianos - mais adocicados e saborosos (e caros!) em 2 metades. Partidos, retiram-se as sementes. É preciso os temperar com um pouco de sal e deixá-los repousando por alguns minutos, com a parte aberta para baixo, deixando escorrer os líquidos que se formam.

Enquanto os pomodori repousam, pica-se alho - sim, aqui tem que picar e não vale usar alho já picado, pois não ficaria bom! Mas pode-se usar alguma conserva CASEIRA de alho (foi o que eu usei, na prática, pois fica menos picante). Ao alho, se adicionam ervas frescas picadas - aqui salsinha e manjericão. 

Tempera-se essa mistura com sal e recheia-se os tomates com ela. A coisa começa a ficar cheirosa!

Para grelhar, coloca-se azeite o suficiente para lubrificar uma frigideira anti-aderente e dispõem-se os tomates virados com a boca recheada para cima. Trinta minutos de fogo brando e panela fechada, mexendo um pouco são suficientes para deixar a coisa pronta.



Se forem poucos os tomates - usei apenas dois - , é preciso colocar um pouco de água no fundo da panela, aos poucos, para que não queime nem grude. Se forem muitos tomates, eles soltarão líquido o suficiente para dispensar o uso da água.

Servi com arroz integral e uma linguiça defumada (do Jerivá, Cintia!) com um molho barbecue.



Sílvio Barbosa

Miojo metido a besta

Essa aqui não vai ter muito conteúdo geográfico, mas sim prático e famíntico.

Nestes tempos pós-modernos, nunca temos tempo para nada, a vida é corrida e, via de regra, comemos mal. Não sabemos de onde vem nossa comida, como é produzida e, vez ou outra - pra muita gente é sempre -, comemos produtos prontos, como os famigerados macarrões instantâneos que, convenhamos, são um horror e não sabemos exatamente do que são feitos. Isso em nome de uma suposta economia de tempo.

Nesta onda, já havia visto receitas semelhantes em sites, na televisão, mas nunca tinha me atrevido a fazer. Resolvi: usar ingredientes simples e fazer uma refeição gostosa, rápida, e da qual eu sei quais ingredientes a compõe.

Cozinha-se uma massa de sua preferência em água fervente. No caso, usei um punhado de farfale. Não leva mais de 8 ou 10 minutos, a depender da massa escolhida.

Cozida a massa, escorre-se a água e se coloca um tanto bom de manteiga em cima dela. Mistura-se até ela derreter, adiciona-se um pouco de alguma erva ou ervas frescas que lhe apeteçam. Obviamente, ervas frescas dão um sabor melhor, mas, na sua ausência, não ficará ruim se usar ervas secas. Eu usei foi dessas mesmo: tomilho, salsinha, manjericão. Por fim, salpica-se uma quantidade generosa de queijo parmesão ralado, ou outro do seu gosto.

Para acompanhar, parti um tomate adocicado em 4, e coloquei um molho de mostarda e mel.

Cerca de 10 minutos depois, está pronta uma janta quentinha e gostosa.



Sílvio Barbosa

terça-feira, 19 de abril de 2011

Ê, é Páscoa !


 É Páscoa e minha família é grande. E, mais, fiz promessas de dar chocolates para as almas mais esganadas por causa de minhas andanças. Posso explicar. Em minhas andanças de Geógrafa passeio por alguns lugares e, por onde vou, faço o exercício de conhecer algumas iguarias, especialmente os doces. 

Além de conhecê-los, tiro fotos, documento, aprecio e comento com os mais próximos tudo aquilo que vivenciei em minhas “gordices”. Por isso mesmo, fui intimada por um primo meu a parar de passar vontade nele e fazer um agrado, afinal já tinha o feito sofrer por demais. 

Coisa que não era minha intenção, eu apenas queria compartilhar as gostosuras. Mas, como não quero pecado nenhum em vão em minhas costas, prometi que faria um chocolate ou algo do tipo para alegrá-los na páscoa e, mostrar como vale à pena conhecer para poder repartir o conhecimento, seja com fotos, ou com chocolates de verdade. 

Infelizmente meus chocolates ainda não adquiriram força e consistência para que eu possa oferecer pra alguém, ou mesmo postar por aqui. Aliás, um dia posto, mesmo que seja pra ficar claro que cozinhar é também errar. Muitas coisas dão errado, talvez até a maioria das nossas experiências dê, relativamente, errado. 

Por isso, para a Páscoa, fiz trufas. Ficaram deliciosas. Espero que a família também aprove, afinal foram mais de 50 trufas enroladas para que todos possam experimentar. 

L.E.R ! Fora a “L. E. R.” o resultado foi satisfatório, mas só lá pra sexta feira é que saberei se a “famiage” aprovou. Não será fácil ... Mas, quem sabe ?! Explico a receita, trufa é algo relativamente barato. Por isso a escolha ... família numerosa é assim mesmo. Temos que pensar em tudo. 

Comprei cinco barras de chocolate, da marca Garoto, pois considero um bom chocolate com preço razoável. Derreti todas as barras, somei com três caixinhas de creme de leite, nem foi o super creme de leite fresco, mas também não me arrisquei a colocar um muito “alternativo”. 

Destaco que usei três barras de chocolate com 55% de cacau. Duas barras de chocolate meio amargo e uma de chocolate ao leite. Afinal, crianças também comerão as trufas e não quero apavorá-las. Somado o creme de leite, adicionei um pouco de uva passa amarela triturada juntamente com amêndoas frescas. Após, adicionei um pouco, bem pouco de whiskey.

Para mim o resultado ficou excelente. De lamber os dedos, as colheres, e a refratária em que deixei descansar o chocolate na geladeira por um dia e meio. 



 Após um dia e meio gelando, tirei da geladeira, enrolei e passei em cacau em pó. Posteriormente embrulhei uma a uma em papel alumínio, pois é um bombom delicado e será transportado primeiro para Uberaba – a metrópole zebuína - e depois para o longínquo interior de São Paulo – para a bela Bauru – e, por fim coloquei os bombons agrupados em um guardanapo bonito e amarrei com fita. 

 É isso, espero que gostem e que minha família aproveite !


Cintia Godoi

quarta-feira, 23 de março de 2011

Risotto alla Flavigna

lndo me aventurando muito no mundo dos risottos e preparando, sempre que dá, algum diferente. Este fim de semana foi em Uberlândia.


Larissa e eu saímos de Brasília no sábado bem cedo e nos dirigimos à capital do Triângulo Mineiro pela mal cuidada BR-050. Paramos no 'Sonho Verde', uma ponto de parada bem agradável onde, além de lanches  e refeições, vendem-se conservas, embutidos, biscoitos e doces artesanais. Pensei em comprar ali uma peça de lombo defumado pensando num risotto, mas, infelizmente, o delicioso lombo vendido ali tinha acabado...

Chegando a Uberlândia, almoçamos no delicioso Barollo - uma delícia, a preços justos e usando Ipads como cardápio, coisa que não existe nesta Capital Federal, descansamos, nos banhamos e, pelo meio da noite, juntamos o pessoal, fomos às compras no D'Ville - um luxo de supermercado em pleno Sertão da Farinha Podre e, sob orientação da Flavinha, que sugeriu a receita, compramos os ingredientes, além de umas cervejas para dar aquela animada!

A receita escolhida foi um Risotto de bacon com alho poró!





Eu não conhecia bem o alho poró, fui apresentado a ele naquela noite. Uma delícia! Escolhemos um deles, uma peça  bonita e pouco gordurosa de bacon, arroz arbóreo, um vinho branco, uma boa peça de queijo parmesão; para a saladinha pegamos alface, repolho roxo, cenouras e tomates-cereja.

Olha aí a danada da peça!



O bacon foi picado bem miudinho e já foi indo para a panela com um fiozinho de óleo, apenas para começar a desprender a gordura. Os pedaços mais gordurosos do bacon sequer foram para a panela. Reservamos eles para serem parte do caldo que viria a cozinhar o risotto.





E fomos fritando o bacon até que ele ficasse bem torradinho. Esta foto é da Menine Karine, que foi mexendo a panela. Ela quase não gosta de bacon.








Enquanto o bacon fritava, preparamos o caldo, que é parte fundamental de qualquer risotto. Como os caldos industrializados não são tão gostosos quanto os feitos na hora. Porém, não dispunhamos de tempo para cozinhar um animal com ervas e fazer um caldo lindo. Como destaquei, usamos os pedaços mais gordurosos do bacon - a parte que não seria frita - e colocamos na panela juntamente com as partes não utilizadas do alho-poró, um pedaço de cebola, pimenta calabreza, tomilho, cenoura, uma pitadinha bem pequena de açafrão, alho picado, shoyu para dar uma corzinha, bastante água - calculo que algo em torno de 2 litros - e, por fim, acertar o sabor com um pouco de sal. Esta gororoba foi levada ao fogo até ferver. Fervida, baixou-se o fogo para conservá-la quente, mas sem evaporar todo o líquido.




Depois de frito o bacon, reservamos ele a parte e utilizamos a panela suja e parte da gordura desprendida para refogar uma cebola grande picadinha, um tanto bom de alho até dourar um pouco. Feito isto, adicionamos uma das estrelas do prato da noite: o alho poró, aqui, picado em pequenas rodelas.





Olha o a cara do refogado aí.
 
Quando o refogado estava o ponto, adocionamos o arroz arbóreo cru, algo em torno de 250 gramas e refogamos. Nesta etapa, colocamos algo em torno de 2 copos de vinho branco, o que dá  bastante sabor e alegria ao prato! Deus do céu! o Cheiro incendeia a cozinha!


Assim que o vinho deu uma secada, mexendo o arroz incessantemente, fomos adicionando o caldo. Atenção nesta parte porque deve-se colocar apenas o caldo, sem os pedaços das ervas, bacon e legumes que utilizamos para saborizar.

À medida que o caldo ia sendo absorvido pelo arroz, íamos colocando mais caldo e, assim, até que o arroz estivesse no ponto correto: firme, sem estar duro envolvido por um pouco do creme formado pelo seu amido e pelo caldo, como na foto ao lado.



Após isto, adicionamos o bacon, a vedete do prato, e uma quantidade generosa de queijo parmesão ralado grosso. Não é difícil imaginar que ficou muito bom.



 Para acompanhar, preparamos uma salada crocante com alface crespa picada miudinha - na hora que fomos ao supermercado já não havia muitas opções de folhas verdes bonitas -, cenoura ralada, repolho roxo cortado fino, tomatinhos cereja cortados ao meio, misturados a um tanto bom de batata palha e queijo parmesão ralado. Ela foi acompanhada por um molho picante de amoras, feito com geléia de amora, tabasco, vinho branco e sal.....



E, voilá! Eis o prato do dia.. digo... da noite! Feito a várias mãos: algumas picando, outras mexendo, outras lavando louça, outras comendo bacon, outras mudando de canal a TV!


Obviamente, não dá pra não agradecer a Thaís que nos hospedou, à Karine que cedeu sua cozinha, ao João Paulo que aguentou nossas loucuras, à Flavinha, maior guia desta receita, à Miki e seu humor inabalável, mesmo quando o mundo cai ao seu redor, à Larissa por sua confortável companhia.

Sílvio Barbosa