segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Em casa de português, se come sardinha todo mês.

Umas semanas atrás conhecemos um restaurante peruano em Goiânia. Comemos o famoso ceviche e descobrimos que a forma mais tradicional de se comer o peixe cozido no limão é com batata e milho cozido. Claro, uma batata e um milho totalmente diferente dos nossos, mais adocicados. O chef do restaurante nos contou que há muitos tipos de milho por lá, e nos mostrou umas fotos incríveis.

Tempos depois, achei no supermercado uma sardinhona e resolvi comprar pra fazer pra um rapaz bigodudo que tenho aqui em casa. Vascaíno, descendente de português e também de catalães (para não apanhar da minha sogra), o rapaz é chegado numa sardinha!


Comprei e resolvi fazer num domingo, com tempo. Neste belo domingo, com tempo de sobra, fomos ao supermercado e encontramos outro peixe, o Côngrio. Liguei para um irmão conhecedor de ceviches e ele me disse que seria um ótimo peixe pra “afogar” no limão.

Ficou decidido o almoço. Entrada: ceviche de côngrio com cebola roxa, limão e azeite. Milho e batata doce cozidas (utilizando o método aprendido com o Peruano – Goiano) E, como prato principal, sardinhona com azeite, alho, limão, batata doce e, compota de abobrinha com tomate. Exótico! E, ficou muito bom! (Me lembrei da Ju - amiga de Goiânia - que disse esses dias: entre o certo e o errado, escolhi o que me faz feliz. Foi exatamente isso: entre combinar e harmonizar, testamos o que estávamos à fim!)

Pra acompanhar uma trapista, La Trape Blond, presente de dia dos pais que recebemos do vovô e vovó, representantes do Ceará e de Santa Juliana, digo, Catalunha!

Obs.: Claro que eu, mineira-goiana-com descendência do interior paulista, prefiro carne de porco do que sardinha ... mas, variar é importante.

Cintia Godoi

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Porco ao vinho e alhos!

Em Portugal, onde estive por 5 meses, a carne bovina não é tão consumida quanto aqui no Brasil. Um dos motivos deve ser a elevada disponibilidade de pastos naturais no Brasil o que, desde o período colonial deve ter favorecido a criação de bovinos nos pampas, nos campos de altitude, nos cerrados e na caatinga. Já no pequeno e pedregoso Portugal, as possibilidades são mais restritas. Outro motivo logo notado foi o sabor da carne: em Portugal ela possui um cheiro forte e não há tempero que consiga dar sabor a ela!

Talvez por isso o país tenha uma tradição de comer de tudo, menos carne bovina. Lá peixes e porcos reinam em absoluto. Embora eu não goste de peixe, eu como carne suína; ainda que não seja a minha preferida. Mas a carne suína portuguesa, ao contrário de seus bovinos, tem um sabor maravilhoso e é muito macia. Portanto, era a carne do dia a dia.

Juntando o porco com outro ponto forte de Portugal, o vinho, fiz um porco com vinho e alho.

Primeiro deixei os bifes - não sei dizer de que parte do porco ele vem - marinando em vinho português tinto, alho amassado, cebola, sal, pimenta do reino, salsinha e cebolinha (cebolinhos, em Portugal).

Enquanto o porco marinava na geladeira, eu e Hélio - que dividia apartamento comigo em Lisboa - achamos que aquele porco português merecia a companhia de uns amigos brasileiros. Pusemos na cabeça de que queríamos mandioca. Mas onde acharíamos mandioca em Lisboa? Achamos em um hipermercado, o Continente. Nos disseram que a mandioca era uma raiz africana! Bem, em Lisboa os migrantes oriundos das antigas colônias portuguesas na África são os grandes consumidores de mandioca, mas os portugueses se esqueceram de que a mandioca é uma raiz típica da América do Sul e que foram eles que a levaram para suas colônias africanas, de onde eles importam atualmente.

No mesmo hipermercado esbarramos em couve portuguesa já picada. Uma paranaense que ali encontramos nos disse que a couve portuguesa era bem diferente da nossa, mas pagamos para ver.

De volta para casa, dourei alguns dentes inteiros de alho em azeite - outra iguaria abundante n'Além-mar - e reservei. No mesmo azeite, grelhei os bifes de porco, até ficarem bem dourados. Depois disso, coloquei o líquido da marinada sobre os bifes, juntamente com os dentes de alho torrado e deixei encorpar. Fiz a receita algumas vezes e o caldo ficou ralo. Tive a ideia de incorporar miolo de pão - há um pão local denominado caralhotas, usei esse.

Da mandioca que trouxemos, metade estava podre (era caríssima!). Uma curiosidade: como ela vem de longe, de algum lugar da África que não souberam nos precisar, eles retiram a terra da raiz e mergulham era em parafina, algo bem estranho para os brasileiros acostumados a colhê-las no fundo do quintal. Cozinhei os pedaços em água salgada e, depois, misturei os pedaços já cozidos a um refogado de manteiga, azeite, cebola picada e cheiro-verde.

A couve portuguesa refoguei brevemente em azeite com alho dourado e uma pitadinha de sal. Para finalizar, um arroz branco à moda brasileira e uma saladinha de tomates com azeite, sal, limão e cheiro verde. Acompanhou o prato, ainda, uma farofa pronta - brasileira - vendida no hipermercado.

O porco português combinou bem com as companhias brasileiras. E a couve portuguesa tem o mesmo sabor da nossa.



Sílvio Barbosa

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Carbonara nervoso.


Para alimentar a alma, o corpo e o coração, lá vamos nós para mais uma receita puramente bela.
Em homenagem aos homens, dia dos pais, ao meu primo que está em Goiânia amoitado em minha sala, e a um amigo que está precisando de um pouco de saúde em sua silhueta, resolvi fazer um macarrão masculino, um carbonara nervoso !

O carbonara que conheço, em geral, é feito com cebola e alho dourados, bacon fritinho, ovo e manteiga. Tudo isso bem salgadinho e oleoso é misturado ao macarrão para criar essa delícia gorducha de massa.

Para fazer algo um pouco diferente, criei uma receita com o que dispunha em casa, e com o ingrediente especial  - bacon – não me matem ! - sendo retirado e em seu lugar – não é tão mal assim, é ?! - coloquei presunto parma ! Essa receita não é inédita, obviamente ... Já comi uma parecida em um restaurante goiano.

Assim dourei alho, cebola e ervilhas verdes na frigideira com um pouco de azeite e outro pouco de manteiga. Após dourar coloquei o presunto desfiado de maneira bem grosseira. Misturei bem, quase coloquei um vinho tinto, mas me segurei. E, para finalizar coloquei QUEIJO MINAS CURADO picadinho e salsa. O queijo minas curado é um ingrediente altamente fino que não pode ser encontrado em qualquer lugar, apenas noTriângulo Mineiro, a mesopotâmia brasileira ! Onde as águas abundam e o queijo é sublime !

Vejamos como ficou … Para acomapanhar, uma cerveja vermelha de leve amargor … a famosa Murphys.

domingo, 18 de março de 2012

Linguiças, maçãs, cebolas, tomates, batatas, e um domingo perfeito.

Lingüiça, maçãs, cebolas e tomates ao molho barbecue. Purê de batatas simples e suco de melancia com gengibre. Foi essa a delícia e a alegria do domingo. 
 

No sábado à noite, quis sair pra comer um super sanduíche. Fomos a um bar relativamente novo em Goiânia, uma forneria, que serve sanduíches preparados na hora, com pães também caseiros e feitos na hora. Mas, meu pedido foi ruim, e isso me desanimou muuuuuito, porque eu esperava muito do sanduíche. Era pra ser um delicioso hambúrguer gourmet de picanha, com molho barbecue e queijo. Entretanto, o hambúrguer não estava bom. Minha sorte foi que o segundo pedido, estava realmente bom, senão ia ser muito frustrante. Panini com filé, brócolis, molho de tomates e queijo. Perfeito, delícia.

No domingo acordei cedo, li dois capítulos do meu trabalho e fui tomar café. Comi meu bolinho de banana, que por sinal, tenho que publicar aqui, pois foi a primeira vez que consegui fazer um bolo decente. Depois fui descansar vendo TV.

Fui sapear nos canais com programação culinária para me inspirar para o almoço de domingo. O primeiro programa que vi foi “Cozinhando com Chuck”, acho que é isso o nome do programa. E o cara fez uma costelinha ao molho barbecue. É, de novo ele. E, pra ficar mais explícita a perseguição, há meses escuto alguém me atazanando que preciso usar meu tempero para molho barbecue que trouxe dos Estados Unidos, pois já já o tempero vai perder. 

Decidi. É hoje que encaro fazer o tal molho barbecue. Pra me vingar do meu sanduíche ruim do dia anterior e para matar logo o compromisso de usar o tempero que comprei. É algo que recomendo, por onde passarem, passeiem nos supermercados e comprem temperos diferentes pra usar quando chegarem de viagem, em um dia bem descompromissado.

No programa de TV para preparar o molho barbecue o chef usa mil coisas. Obviamente eu não tinha tudo aquilo. Ele usou molho inglês, molho shoyo, catchup, vinagre de maçãs, e outras coisas mais que não me recordo agora. Minha receita teve que ser mais simples, até porque tenho medo de condimentar demais a comida e não dar conta, afinal, gravidez nos deixa com um paladar mais fragilizado.

Assim, como tinha boas linguiças em casa, compradas pela minha mãe, resolvi testar lingüiça de porco com molho barbecue adaptado por mim.

Coloquei em uma refratária as linguiças, tomates, maçãs e cebolas grosseiramente picadas. Ou seja, tudo em quatro ou seis pedaços. As linguiças não foram picadas, mas abri uns cortes nelas pra entrar o tempero e ficar com a cara melhor ainda. Para temperar coloquei shoyo, azeite, catchup (aquele Heinz que é melhor um pouco, pois não gosto muito de catchup), e o tempero pronto para barbecue. Ressalto que coloquei o catchup com um pouco de água, para “suavizar”como diria um amigo daqui de Goiânia. E, digo que resolvi colocar os outros temperos por medo do tempero pronto ser muito artificial. 


Para acompanhar, queria ter uma salada, mas o repouso não me deixou ir ao supermercado, então só havia batatas. Resolvi fazer um purê bem simples, básico e gostoso. Nem queijo eu coloquei, pra dar uma balanceada no cardápio. Batatas cozidas e amassadas, cebola dourada, manteiga, sal e leite. 

Para acompanhar essa delícia fiz um suco de melancia com gengibre que com o tanto certo de gelo ficou muito refrescante!


Meu domingo foi o máximo! Consegui fazer uma comidinha gostosa, ficar no sossego do lar, publicar no blog esse textinho, além de ver filme e estudar um pouco. Melhor impossível.

Cintia Godoi

segunda-feira, 12 de março de 2012

Rota tropeira, comida caipira.

Há dois fins de semana vieram alguns amigos me visitar. Seus sobrenomes revelam a diversidade de gentes que povoaram esta terra chamada Brasil: Mussato (italiano), Amorim (português), Santuchi (italiano), Demmer (alemão), Schmidt (alemão), Xavier (português), Portela, (português), além dos meus Barbosa e Silva (ambos portugueses).

Esta diversidade se manifesta também na culinária. Pratos das mais diversas origens, com ingredientes de cá e d'além mar.

Para estes amigos de sobrenomes tão diversos, de famílias que vieram de lugares tão distantes, cozinhei dois dos pratos brasileiros que mais gosto: a galinhada e o feijão tropeiro.

Ambos tem origem mais ou menos na mesma época em que se formava uma primeira noção de brasilidade: com a descoberta de minas de ouro no centro-sul do que hoje é o Brasil, os lusófonos de toda a América do Sul afluiam para estas zonas, basicamente o centro de Minas Gerais

No final de 1750, quando Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, entrava nos seus vinte anos, Minas Gerais era o centro do Brasil. Mais ainda, Minas Gerais estava inventando o Brasil e os brasileiros, um país e um povo que até então não tinham conhecimento de sua própria existência. Vinte anos mais tarde, duas gerações já haviam tido consciência da nova realidade geográfica e cultural. Atraídos pelo ímã do ouro, os criadores dos confins gaúchos, os paulistas, os fluminenses, os baianos, os pernambucanos, os sertanejos do São Francisco, os curraleiros do Maranhão afluíam para Minas. Toda essa gente de fala portuguesa até então dispersa pela América do Sul mal tinha notícia uma da outra e, sobretudo, nunca se tinha visto junto. (ALENCASTRO apud COUTO, 2001, P. 36)

Este contato, além de fomentar a ideia de Brasil e sedimentar um ideal de independência, promoveu intercâmbios entre as diversas regiões, antes isoladas. Mercadorias, pessoas, mas também cultura, circulava pelo território no lombo de mulas e cavalos.

Um exemplo eram as rotas tropeiras que ligavam as áreas produtoras de alimentos ao centro consumidor, que eram as zonas mineradoras. O gado cultivado no pampa era abatido, seco, e levado para alimentar garimpeiros e burocratas. 

Ainda após a decadência da mineração, tais rotas continuaram a funcionar, com intensidades diferentes, com rotas diferentes. A dispersão da população do centro minerador também tratou de espalhar os conhecimentos e hábitos ali desenvolvidos a partir da combinação de saberes dos quatro cantos da América Lusófona - hoje Brasil.

O primeiro prato, o feijão tropeiro, supõe-se ser um dos pratos que estes homens que rasgavam o Brasil nas tropas de mulas. Seus ingredientes, a maioria secos, desidratados ou pouco perecíveis, permitiam que fossem levados a todo canto, tornando-o um prato versátil.

Para fazê-lo, cozinhei feijão carioquinha na pressão por pouco mais de meia hora. Cozinhei um quilo de feijão em pouco mais de dois litros de água e um pouco de sal, pra já dar um sabor nos grãos. O feijão carioquinha é o mais tradicional na confecção desse prato tão comum no centro-sul brasileiro. Curiosamente, após cozido, apresenta a mesma cor que a terra vermelha e fértil do Triângulo Mineiro, de Goiás, do Norte Paranaense, do Oeste Paulista.... Pois bem... constatei que aquele quilo de feijão era muito e usei apenas metade - já convertida em mais peso.

Em paralelo, piquei uma boa peça de bacon - usei bacon extra-lombo, com mais carne e menos gordura; dois gomos de linguiça calabreza (Esta merece um destaque, pois apesar do nome italiano, é bem brasileira: fora criada a partir da adição da pimenta calabresa em embutidos pelos imigrantes italianos. Ainda que surgida depois do feijão tropeiro, foi prontamente integrada às receitas de família.), mais algumas linguiças fininhas, cujo nome não me lembro. Como o bacon era "light", usei um pouco de azeite de oliva para fritá-las.
Fica a critério do freguês usar ou não a gordura que sobra. Como era bem pouca, deixei. Ao fim da fritura/ refogado, adicionei cebola e alho picados até que estivessem dourados. 

A esta mistura, adicionei os grãos de feijão, seis ovos cozidos picados, uns 200 gramas de farinha de mandioca (na verdade usei farofa temperada), e umas três folhas de couve picadas, um punhadinho de pimenta calabreza pra dar sabor. Sal? Para quê? O feijão já continha um pouco, as carnes e a farinha também. De lamber os beiços!

(Meu tropeiro não levou torresmo, mas fica bonito quando coloca uns pedaços bem bonitos de torresmo em cima na hora de servir!)

Se tivesse só feijão, já ficava feliz! Mas acho que meus convidados mereciam comer uma bela galinhada. Tão caipira quanto o feijão tropeiro, é um prato simples que leva, basicamente, a penosa, arroz e os temperos do agrado do freguês. Em Goiás colocam Pequi. Outros colocam açafrão-da-terra. Eu prefiro mais simples, sem pequi e sem açafrão (Safrão, no dialeto caipira).


Acende o fogo, espicha o frango e tira as pena
P'ra galinhada essa panela tá pequena!
(...)
A gente come, a gente dança a noite inteira
A galinhada é de primeira e todo mundo pede mais!



Ralei duas cebolas e coloquei em azeite bem quente. Pouco azeite, só o suficiente para dourar a cebola. Quanto mais dourada a cebola, mais bonita a galinhada, tomando-se o devido cuidado para não queimar! Dourada a cebola, acrescenta-se água. Como era muita gente, coloquei mais de um litro de água e comecei a adicionar os temperos: salsinha, cebolinha, pimenta preta, pimenta calabresa, sal, alho já frito. Nesse caldo já saboroso, cozinha-se a galinha. Tradicionalmente um frango caipira morto na hora, mas usei um quilo de filezinho sassami mesmo. 

Frango cozido, foi desfiado e devolvido ao caldo temperado. A esse caldo, adicionei arroz (normalmente usa-se arroz branco, mas usei arroz integral, e não alterou o sabor!), cenoura ralada e milho para dar uma corzinha, e deixei cozinhar até o ponto ideal. Para servir, um pouco de cheiro verde em cima.

Para acompanhar esse almoço ~leve~, fiz um acompanhamento tradicional: tomate a vinagrete. Tomates picadinhos, temperados com cebola ralada, sal, pimenta, cheiro-verde e vinagre. Mas como eu não goto muito de vinagre, usei suco de limão no lugar. Um pé de alface, molho de limão, azeite, sal e ervas. Estava pronto o almoço de domingo.



Sílvio

segunda-feira, 5 de março de 2012

Frango na cerveja - receita da Donelena


Não sei de onde veio a receita, mas já vi fazerem de várias formas diferentes. Minha mãe, lá no Triângulo Mineiro, fez esse prato um dia e achei maravilhoso. 

Já experimentei fazer algumas vezes e gosto muito. A regra básica que aprendi com a minha mãe é: o frango leva o mesmo tanto de cerveja que o cozinheiro!

Este fim de semana havia amigos me visitando e eu, com antecedência, já havia comprado coxinhas de frango para preparar.

Depois de descongeladas e lavadas, temperei-as com sal, pimenta calabreza, pimenta branca, salsinha e cebolinha desidratadas, cebola e alho picados e um pouco de caldo de limão. O toque que faz com que o frango não resseque é adicionar um pouco de maionese ao tempero: a gordura segura o suco e o sabor da carne. E, para finalizar, coloca-se cerveja.

Para que pegasse bem o sabor da bebida, deixei marinar por algumas horas>

A quantidade de cerveja vai variar com a qualidade do seu forno: no meu forno de Brasília, levou trê horas para cozinhar 1 quilo e meio de frango com, aproximadamente, meio litro de cerveja. No forno de minha casa em Lisboa, 1 quilo de frango estava pronto com 1 litro de cerveja em algo como uma hora. Ou seja, quanto melhor e mais aquecer o forno, mais cerveja se coloca e, consequentemente, mais saboroso fica!

Desta vez, coloquei apenas a cerveja da marinada. No caso de um forno melhor, pode-se ir adicionando cerveja à medida que a da marinada seca. Próximo do fim do cozimento, coloquei algumas batatas no tabuleiro, para absorver o restante do caldo e pegar sabor.

Para acompanhar, uma saladinha verde foi o suficiente. Forrou cinco barrigas que encararam uma bela noite de festa!

Sílvio

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Mamma mia!

 Depois de muito tempo sem postar - apesar de ter cozinhado muito no período -, volto a postar uma comidinha que fiz.



Tinha uns bifinhos na geladeira e meio pacote de funghi secchi (com o qual fiz um risotto pra Flavinha, uma semana antes) e achei que eles mereciam a companhia de uma boa massa.

Comecei hidratando o funghi em água fervente, pois ele está secchi..... Mais ou menos uns 20 minutos, senão fica duro.

Piquei os bifes em cubinhos e refoguei com azeite de oliva - português - cebola, alho, pimenta calabreza, pimenta branca (sim, gosto das coisas bem picantes), salsinha e cebolinha. Dourei a carne e, quando atingiu o ponto, coloquei um tomate italiano picado, escorri os funghi e coloquei na mistura, e achei que ficaria bom se eu colocasse uns restinhos de vinho que havia na geladeira (um merlot e um suavignon blanc). Coloquei e deixei ali apurando.



Enquanto isso, abri um pacote de penne rigatte e botei pra ferver em água com sal. Dez minutinhos depois escorri e reguei com azeite.


Pronto! Foi só colocar a massa no prato e regar com o molho apurado. Uma ode aos ingredientes italianos!



Sílvio Barbosa

domingo, 20 de novembro de 2011

Atum Saúde.


A vida é assim, tudo está relacionado. Passei um tempo sem escrever porque meu “escritório” não estava muito legal, e isso me desanimava ... Mas, outro dia li no facebook que um amigo iria pedalar no Sul da Ilha, em Floripa, e almoçar no Nutri. 

O Nutri é um restaurante gostoso e bacana que fica na praia da Armação, onde morei por um tempinho, há alguns anos. Ler aquilo me deu vontade de comer um sanduíche de atum que eles servem, com um molho especial que nunca descobri a fórmula.

Enfim, durante a semana, quando fui ao super, comprei atum e acompanhamentos para fazer quando batesse a vontade. No sábado após jogar umas duas horas de basquete, a vontade de fazer o sanduíche bateu!

Duas latas de atum sólido, uma cebola e meia, uma maçã, uma cenoura e cebolinha, tudo picado em pequenos pedaços. Azeite, orégano e sal para temperar. Quando misturei tudo e temperei, já ficou pronta, por isso a mistura foi para a geladeira. Coloquei umas fatias de pão integral com queijo trança – delícia goiana do Jerivá – no forno pra derreter um pouco o queijo e deixar o pão um pouco crocante. 

Enquanto os pães eram aquecidos fui fazer a bebida. Como sou filha próxima do Homem, tomei uma cervejinha enquanto preparava o ranguito ... Como tento tomar menos refrigerante e cerveja, e estava muito calor, inventei de fazer um chá gelado. Poderia ter feito um suco, mas o chá gelado rende bastante. 

Cortei um abacaxi e duas maçãs, bati no liquidificador com a menor quantidade de água possível e coloquei no fogo com um pouco de canela e mel. Fica um caldo meio grossinho que deixo ferver e mexo de vez em quando. Bem bruxa ! Quando ferve, desligo o fogo. Deixo descansar para esfriar um pouco. Posteriormente, é só coar e guardar em uma jarra, assim temos base para chás gelados para uns 2 dias. Coloque um pouco menos da metade do copo dessa base de abacaxi e maçã, bastante gelo, um pouco de água e água com gás ou soda. É muito refrescante! Da próxima vez vou colocar um pouco de hortelã pra testar.

É isso, ficou pronto nosso lanchinho, depois de duas horas de basquete não houve muita fineza para jantar, mas o importante é que tudo ficou tão gostoso que tive vontade de escrever novamente!

Notas: nomes de restaurantes foram citados não pra fazer propaganda, mas porque mereciam a assinatura dos produtos. A maçã sempre aparece nas minhas receitas, não que seja uma fruta muito gostosa, mas porque em 1920, li num livro que a maçã ajudaria a evitar alguns problemas de saúde que eu costumava vivenciar. Desde que inseri a danada em minha dieta, nunca mais tive minhas sofridas dores de garganta e outros pepinos que me afligiam.

Cintia Godoi

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Torta do Luciano

Essa receita é do nosso colega Luciano. Como ele não contou nenhuma história na receita, conto eu (Sílvio):


Mineiro de Alfenas, mas criado e com o coração e a alma em Janaúba.... Altaneira e progressista no Norte Mineiro!

Porém foi em Uberlândia que fixou suas raízes e encontrou sua esposa, também geógrafa, a araxaense Rejane; e lá que nasceu sua filhinha, Yasmin. Naturalmente, como bom geógrafo, não fixou suas raízes sem antes saracotear por outros cantos, como São Carlos e Brasília.

Segue a contribuição dele:

Receita de Torta Doce.


Massa

(Xícara medida 200ml)

2 Xicaras de farinha de trigo

½ Xicara de açúcar de confeiteiro

1 colher (sobremesa) de açúcar de baunilha

1 colher (café) rasa de sal

3 Colheres de manteiga

1 ovo grande


Em uma vasilha grande, coloque a farinha, açúcar, sal e manteiga e mexa até esfarelar. Coloque todos os ingredientes e misture até criar uma massa homogênea. Após a mistura deixe a massa descansando congelador até vc terminar o recheio.

Recheio

2 xicaras de leite

1 xicara de açúcar

½ xicara de amido de milho

2 ovos (caso goste do creme mais amarelinho, acrescente mais uma gema de ovo)

1 colher (café) essência de baunilha


Em uma panela coloque o leite, açúcar, os ovos e a baunilha... mexa ate aquecer e, após o aquecimento, adicione o amido de milho e continue mexendo sempre ate fazer um creme denso. Deixe esfriando e vamos ]à massa.

Pegue a massa que ficou na geladeira e forre em uma forma (redonda ou quadrada). A massa deve ficar no fundo da forma e nas laterais... Fure ela com um garfo e por toda a sua extensão. Leve ao forno por aproximandamente 30 minutos.. Verifique sempre, e fure a massa caso apareçam bolhas. Retire do forno quando estiver dourado.

Após retirar do forno, espalhe o receio pela massa. Lembre-se de deixar espaço para colocar as frutas. Eu usei morango. Abacaxi, uva e Kiwi são boas pedidas. Após colocar as frutas cubra com gelatina da cor da fruta. Deixe esfriar um pouco e sirva gelado.





Luciano Santos

domingo, 31 de julho de 2011

Um macarrão com molho adocicado.


A simplicidade e doçura são os segredos desta receita. Nada de grandes emoções no orçamento, nem na “feitura”. 

Para receber amigos em casa, fiz um macarrão singelo e gostoso. Um dos amigos é vegetariano, o que às vezes dá um certo trabalho a mais. Especialmente em casa de mineiro, onde sempre há algo de porco na comida. No bom sentido – oras, uma calabresa, um bacon, um pedacinho de lombinho ... enfim ...

Comecei o molho com cebola, alho, tomates e pêra. Ou yep ! Pêras ! Ao invés de açúcar para adoçar o molho de tomates, ou de mel, que também costumo usar, hoje em dia uso muito pêras ou maçãs. É uma receita simples, mas o resultado é delicioso. De lamber os beiços, e raspar o fundo da panela de molho com o último macarrão cozido. 


Isso. Sempre deixo separado o macarrão cozido, colocou um pouco de azeite nele e orégano para colorir e temperar. E deixo o molho separado de lado. Para fechar o prato, nada mais perfeito do que queijo minas ralado. Essa receita de macarrão com molho vermelho, de tomates de verdade, e queijo minas de verdade ralado, eu aprendi com minha sogra. Ela sempre deixava prontinho esse molho, tudo separadíssimo. E era lindo chegar em casa, tarde da noite, e mandar ver nessa pasta com um bom vinho filado da querida família Falcão ! 

Receita simples nesse mundo global – queijo minas trazido pra Goiás, macarrão produzido nestas terras mesmo – há os de Baru que vêm de Pirenópolis, ainda vou experimentar -tomates famosos das terras do sudoeste goiano, pêras do sul, da argentina, ou maçãs de santa Catarina e vinho de onde preferirem para acompanhar.

Assim, ficou pronto, e meus amigos que chegaram às 11 horas da noite de viagem, com fome e vontade de comer algo quentinho, adoraram a receita! Disseram que sim, ao menos. E essa garrafa foi sacanagem sair na foto, não se preocupem.

Cintia Godoi

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Jantar com uma Rapariga

Semana de boas notícias: a CAPES me contemplou com apoio financeiro para minha pesquisa de doutorado e meu Diretor Geral votou a favor de meu afastamento. Faltam poucos passos para que eu possa passar cinco meses na Occidental Praia Lusitana para finalizar minhas pesquisas.

Para comemorar o avanço, resolvi abrir uma Rapariga da Quinta, da região do Alentejo (Além do Rio Tejo, ao sul dele, para ser mais exato).

Mas chega a dar dó abrir um vinho e tomar ele sozinho... resolvi cozinhar algo. Tendo em vista que a Dona Cintia Cliff Godoi não passa por aqui tem tempos e deixou nosso blog às moscas, achei que poderia postar as boas comidas.

Refoguei meia cebola picadinha e uns bons dentes de alho (acabou meu alho picado e estou usando os dentes in natura. Incrível como o sabor é melhor!) em azeite de oliva. Adicionei meio quilo de filet mignon picadinho e deixei em fogo médio. Adicionei salsinha e cebolinha desidratadas, pimenta calabresa, pimenta-do-reino branca e preta e sementes de mostarda, e deixei refogar, até a carne estar cozida e o líquido seco. Deixei mais um pouco para dar aquela 'queimadinha' no fundo da panela. Neste momento, coloquei sal, um pouquinho de shoyu e um tanto bom da Rapariga. Deixei o álcool evaporar e desliguei o fogo. Ficou pronto meu picadinho picante.

Em paralelo, hidratei um punhado de funghi secchi em água morna por uns 20 ou 30 minutos. Funghi secchi, do italiano, fungo seco, algum cogumelo local desidratado. refoguei meia cebola e dois dentes de alho em manteiga - hummm, adoro manteiga - até dourar. Coloquei o funghi já picado e hidratado para refogar por uns dois minutos e, a seguir, o arroz arbóreo. O arroz refogado, uma taça de vinho adicionada, coloca-se um caldo quente, da preferência de quem faz até que o arroz esteja cozido. 

Hoje usei a própria água que hidratei o funghi, adicionada de salsinha, cebolinha, shoyu e sal. Poderia ser um caldo de carne, de legumes, de galinha ou outro....

Uma saladinha de alface, rúcula e tomatinho-cereja completou a trinca.



A rapariga encontrou uma bela companhia.

Sílvio

terça-feira, 31 de maio de 2011

Alho na conserva

Alho é uma delícia, mas é um saco descascar, picar, amassar. Deixa cheiro na mão... TRISTE!

Aprendi, em Uberlândia, a fazer uma conserva. Pode-se usar em qualquer prato, como se fosse o alho in natura, com uma diferença: é menos picante, pode ser comido até cru, mas sem deixar de dar sabor à comida que é preparada com ele.

Pode-se colocar em molhos, saladas, sopas, direto do pote de conserva.

Ao preparo: descasca-se o alho (ou compre descascado, como eu fiz), lava-se e joga-se em água fervente por um ou dois minutos. Retira-se da água fervente e joga-se em água gelada. Após retirar da água gelada, seca-se em pano limpo ou papel toalha seco e dispõe-se em um vidro limpo.

Em paralelo, fervem-se partes iguais de água e vinagre, com uma colher de café sobremesa de sal para cada meio litro de líquido. Fervido, despeja-se o líquido sobre o alho. Dura um bom tempo!



Sílvio Barbosa

Creme de milho com linguiça defumada

Esse nem vai ter muita história.

Meio do ano significa noite fria, ao menos no centro-sul do Brasil. Aqui em Brasília coincide com a época menos úmida, então, à  medida que a noite cai, a temperatura cai junto. Neste tempo, nada melhor que algo quentinho para comer depois do trabalho.

A comida do centro-sul - particularmente Minas, São Paulo, Paraná, Goiás, Matos Grossos - é rica em pratos com milho. Pamonhas, mingaus, bolos, cuscuzes, sopas, broas, pães, bolinhos.... ai que fome!

Quebra do Milho
Pena Branca e Xavantinho


Mês de agosto                                                          
é tempo de queimada
Vou lá prá roça
preparar o aceiro
Faísca pula
quem nem burro brabo
E faz estrada lá na capoeira
A terra é a mãe,
isso não é segredo
O que se planta
esse chão nos dá
Uma promessa
a São Miguel Arcanjo
Prá mandar chuva
pro milho brotar...
Passou setembro,
outubro já chegou
Já vejo o milho
brotando no chão
Tapando a terra
feito manto verde
Prá esperança do meu coração
Mês de dezembro,
vem as boas novas
A roça toda já se embonecou
Uma oração
agradecendo a Deus
E comer o fruto
que já madurou...
Mês de janeiro,
comer milho assado
Mingau e angu
no mês de fevereiro
Na palha verde
enrolar pamonha
E comer cuscuz
durante o ano inteiro
Quando é chegado
o tempo da colheita
Quebra de milho,
grande mutirão
A vida veste sua roupa nova
Prá ir no baile lá no casarão...


Então, num dia frio desses, de posse das lembranças do centro-sul mais roots - Brasília tem tudo isso, mas não é a mesma coisa, resolvi fazer um creme de milho.

Como não tenho espigas de milho frescas do quintal, bati uma lata de milho, sem o caldo, no liquidificador com um pouco de água, mais ou menos 3/4 da lata. Refoguei um pouco de alho no azeite e despejei o milho batido. Temperei com salsinha, sal, pimenta, e deiei apurar. O creme está pronto. Quem quiser, pode colocar um pouquinho de creme de leite.



Em paralelo, grelhei pedaços de linguiça de fumada (que trouxe de Goiás) e coloquei no fundo de uma caneca. Cobri com o creme pronto e, salpiquei com uma mistura de queijo parmesão ralado e ervas secas. Comi e fui dormir feliz.




Sílvio Barbosa

Pomodori alla griglia

Do bom e velho italiano significa: tomate na grelha.

O tomate, procedente da américa, atravessou o atlântico com as grandes navegações e fez, na Itália, uma revolução. Pratos mil preparado com esse fruto vermelho e adocicado: molhos, saladas, conservas.

O de hoje é simples, não sei como classificar. Mas fica bem gostoso:

Partem-se tomates italianos - mais adocicados e saborosos (e caros!) em 2 metades. Partidos, retiram-se as sementes. É preciso os temperar com um pouco de sal e deixá-los repousando por alguns minutos, com a parte aberta para baixo, deixando escorrer os líquidos que se formam.

Enquanto os pomodori repousam, pica-se alho - sim, aqui tem que picar e não vale usar alho já picado, pois não ficaria bom! Mas pode-se usar alguma conserva CASEIRA de alho (foi o que eu usei, na prática, pois fica menos picante). Ao alho, se adicionam ervas frescas picadas - aqui salsinha e manjericão. 

Tempera-se essa mistura com sal e recheia-se os tomates com ela. A coisa começa a ficar cheirosa!

Para grelhar, coloca-se azeite o suficiente para lubrificar uma frigideira anti-aderente e dispõem-se os tomates virados com a boca recheada para cima. Trinta minutos de fogo brando e panela fechada, mexendo um pouco são suficientes para deixar a coisa pronta.



Se forem poucos os tomates - usei apenas dois - , é preciso colocar um pouco de água no fundo da panela, aos poucos, para que não queime nem grude. Se forem muitos tomates, eles soltarão líquido o suficiente para dispensar o uso da água.

Servi com arroz integral e uma linguiça defumada (do Jerivá, Cintia!) com um molho barbecue.



Sílvio Barbosa

Miojo metido a besta

Essa aqui não vai ter muito conteúdo geográfico, mas sim prático e famíntico.

Nestes tempos pós-modernos, nunca temos tempo para nada, a vida é corrida e, via de regra, comemos mal. Não sabemos de onde vem nossa comida, como é produzida e, vez ou outra - pra muita gente é sempre -, comemos produtos prontos, como os famigerados macarrões instantâneos que, convenhamos, são um horror e não sabemos exatamente do que são feitos. Isso em nome de uma suposta economia de tempo.

Nesta onda, já havia visto receitas semelhantes em sites, na televisão, mas nunca tinha me atrevido a fazer. Resolvi: usar ingredientes simples e fazer uma refeição gostosa, rápida, e da qual eu sei quais ingredientes a compõe.

Cozinha-se uma massa de sua preferência em água fervente. No caso, usei um punhado de farfale. Não leva mais de 8 ou 10 minutos, a depender da massa escolhida.

Cozida a massa, escorre-se a água e se coloca um tanto bom de manteiga em cima dela. Mistura-se até ela derreter, adiciona-se um pouco de alguma erva ou ervas frescas que lhe apeteçam. Obviamente, ervas frescas dão um sabor melhor, mas, na sua ausência, não ficará ruim se usar ervas secas. Eu usei foi dessas mesmo: tomilho, salsinha, manjericão. Por fim, salpica-se uma quantidade generosa de queijo parmesão ralado, ou outro do seu gosto.

Para acompanhar, parti um tomate adocicado em 4, e coloquei um molho de mostarda e mel.

Cerca de 10 minutos depois, está pronta uma janta quentinha e gostosa.



Sílvio Barbosa

terça-feira, 19 de abril de 2011

Ê, é Páscoa !


 É Páscoa e minha família é grande. E, mais, fiz promessas de dar chocolates para as almas mais esganadas por causa de minhas andanças. Posso explicar. Em minhas andanças de Geógrafa passeio por alguns lugares e, por onde vou, faço o exercício de conhecer algumas iguarias, especialmente os doces. 

Além de conhecê-los, tiro fotos, documento, aprecio e comento com os mais próximos tudo aquilo que vivenciei em minhas “gordices”. Por isso mesmo, fui intimada por um primo meu a parar de passar vontade nele e fazer um agrado, afinal já tinha o feito sofrer por demais. 

Coisa que não era minha intenção, eu apenas queria compartilhar as gostosuras. Mas, como não quero pecado nenhum em vão em minhas costas, prometi que faria um chocolate ou algo do tipo para alegrá-los na páscoa e, mostrar como vale à pena conhecer para poder repartir o conhecimento, seja com fotos, ou com chocolates de verdade. 

Infelizmente meus chocolates ainda não adquiriram força e consistência para que eu possa oferecer pra alguém, ou mesmo postar por aqui. Aliás, um dia posto, mesmo que seja pra ficar claro que cozinhar é também errar. Muitas coisas dão errado, talvez até a maioria das nossas experiências dê, relativamente, errado. 

Por isso, para a Páscoa, fiz trufas. Ficaram deliciosas. Espero que a família também aprove, afinal foram mais de 50 trufas enroladas para que todos possam experimentar. 

L.E.R ! Fora a “L. E. R.” o resultado foi satisfatório, mas só lá pra sexta feira é que saberei se a “famiage” aprovou. Não será fácil ... Mas, quem sabe ?! Explico a receita, trufa é algo relativamente barato. Por isso a escolha ... família numerosa é assim mesmo. Temos que pensar em tudo. 

Comprei cinco barras de chocolate, da marca Garoto, pois considero um bom chocolate com preço razoável. Derreti todas as barras, somei com três caixinhas de creme de leite, nem foi o super creme de leite fresco, mas também não me arrisquei a colocar um muito “alternativo”. 

Destaco que usei três barras de chocolate com 55% de cacau. Duas barras de chocolate meio amargo e uma de chocolate ao leite. Afinal, crianças também comerão as trufas e não quero apavorá-las. Somado o creme de leite, adicionei um pouco de uva passa amarela triturada juntamente com amêndoas frescas. Após, adicionei um pouco, bem pouco de whiskey.

Para mim o resultado ficou excelente. De lamber os dedos, as colheres, e a refratária em que deixei descansar o chocolate na geladeira por um dia e meio. 



 Após um dia e meio gelando, tirei da geladeira, enrolei e passei em cacau em pó. Posteriormente embrulhei uma a uma em papel alumínio, pois é um bombom delicado e será transportado primeiro para Uberaba – a metrópole zebuína - e depois para o longínquo interior de São Paulo – para a bela Bauru – e, por fim coloquei os bombons agrupados em um guardanapo bonito e amarrei com fita. 

 É isso, espero que gostem e que minha família aproveite !


Cintia Godoi

quarta-feira, 23 de março de 2011

Risotto alla Flavigna

lndo me aventurando muito no mundo dos risottos e preparando, sempre que dá, algum diferente. Este fim de semana foi em Uberlândia.


Larissa e eu saímos de Brasília no sábado bem cedo e nos dirigimos à capital do Triângulo Mineiro pela mal cuidada BR-050. Paramos no 'Sonho Verde', uma ponto de parada bem agradável onde, além de lanches  e refeições, vendem-se conservas, embutidos, biscoitos e doces artesanais. Pensei em comprar ali uma peça de lombo defumado pensando num risotto, mas, infelizmente, o delicioso lombo vendido ali tinha acabado...

Chegando a Uberlândia, almoçamos no delicioso Barollo - uma delícia, a preços justos e usando Ipads como cardápio, coisa que não existe nesta Capital Federal, descansamos, nos banhamos e, pelo meio da noite, juntamos o pessoal, fomos às compras no D'Ville - um luxo de supermercado em pleno Sertão da Farinha Podre e, sob orientação da Flavinha, que sugeriu a receita, compramos os ingredientes, além de umas cervejas para dar aquela animada!

A receita escolhida foi um Risotto de bacon com alho poró!





Eu não conhecia bem o alho poró, fui apresentado a ele naquela noite. Uma delícia! Escolhemos um deles, uma peça  bonita e pouco gordurosa de bacon, arroz arbóreo, um vinho branco, uma boa peça de queijo parmesão; para a saladinha pegamos alface, repolho roxo, cenouras e tomates-cereja.

Olha aí a danada da peça!



O bacon foi picado bem miudinho e já foi indo para a panela com um fiozinho de óleo, apenas para começar a desprender a gordura. Os pedaços mais gordurosos do bacon sequer foram para a panela. Reservamos eles para serem parte do caldo que viria a cozinhar o risotto.





E fomos fritando o bacon até que ele ficasse bem torradinho. Esta foto é da Menine Karine, que foi mexendo a panela. Ela quase não gosta de bacon.








Enquanto o bacon fritava, preparamos o caldo, que é parte fundamental de qualquer risotto. Como os caldos industrializados não são tão gostosos quanto os feitos na hora. Porém, não dispunhamos de tempo para cozinhar um animal com ervas e fazer um caldo lindo. Como destaquei, usamos os pedaços mais gordurosos do bacon - a parte que não seria frita - e colocamos na panela juntamente com as partes não utilizadas do alho-poró, um pedaço de cebola, pimenta calabreza, tomilho, cenoura, uma pitadinha bem pequena de açafrão, alho picado, shoyu para dar uma corzinha, bastante água - calculo que algo em torno de 2 litros - e, por fim, acertar o sabor com um pouco de sal. Esta gororoba foi levada ao fogo até ferver. Fervida, baixou-se o fogo para conservá-la quente, mas sem evaporar todo o líquido.




Depois de frito o bacon, reservamos ele a parte e utilizamos a panela suja e parte da gordura desprendida para refogar uma cebola grande picadinha, um tanto bom de alho até dourar um pouco. Feito isto, adicionamos uma das estrelas do prato da noite: o alho poró, aqui, picado em pequenas rodelas.





Olha o a cara do refogado aí.
 
Quando o refogado estava o ponto, adocionamos o arroz arbóreo cru, algo em torno de 250 gramas e refogamos. Nesta etapa, colocamos algo em torno de 2 copos de vinho branco, o que dá  bastante sabor e alegria ao prato! Deus do céu! o Cheiro incendeia a cozinha!


Assim que o vinho deu uma secada, mexendo o arroz incessantemente, fomos adicionando o caldo. Atenção nesta parte porque deve-se colocar apenas o caldo, sem os pedaços das ervas, bacon e legumes que utilizamos para saborizar.

À medida que o caldo ia sendo absorvido pelo arroz, íamos colocando mais caldo e, assim, até que o arroz estivesse no ponto correto: firme, sem estar duro envolvido por um pouco do creme formado pelo seu amido e pelo caldo, como na foto ao lado.



Após isto, adicionamos o bacon, a vedete do prato, e uma quantidade generosa de queijo parmesão ralado grosso. Não é difícil imaginar que ficou muito bom.



 Para acompanhar, preparamos uma salada crocante com alface crespa picada miudinha - na hora que fomos ao supermercado já não havia muitas opções de folhas verdes bonitas -, cenoura ralada, repolho roxo cortado fino, tomatinhos cereja cortados ao meio, misturados a um tanto bom de batata palha e queijo parmesão ralado. Ela foi acompanhada por um molho picante de amoras, feito com geléia de amora, tabasco, vinho branco e sal.....



E, voilá! Eis o prato do dia.. digo... da noite! Feito a várias mãos: algumas picando, outras mexendo, outras lavando louça, outras comendo bacon, outras mudando de canal a TV!


Obviamente, não dá pra não agradecer a Thaís que nos hospedou, à Karine que cedeu sua cozinha, ao João Paulo que aguentou nossas loucuras, à Flavinha, maior guia desta receita, à Miki e seu humor inabalável, mesmo quando o mundo cai ao seu redor, à Larissa por sua confortável companhia.

Sílvio Barbosa

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Hambúrguer caseiro.

Todos os tipos de conhecimento são importantes. Saber cozinhar sua própria comida te salva muitas vezes nessa vida.

Em Goiânia, há alguns anos atrás foi aberta uma lanchonete chamada Dinner 66. 

Esta lanchonete fez o melhor hambúrguer que eu já comi em minha vida. Era monstro, caseiro, sanduíches gourmet. E, eu pude comer por duas vezes. 

A primeira, quando conheci. E a segunda, quando planejei por toda a semana comer novamente. Foi um dia de mudança de apartamento, fiz faxina, carreguei caixas o dia todo, peguei no pesado pra valer, mas sabia que ao final do dia eu ganharia como recompensa um super hambúrguer.

Infelizmente o Dinner 66 se foi e nunca mais tivemos notícias. 
Após várias tentativas de encontrar algo parecido por aí, resolvi eu mesma fazer um hambúrguer delicioso.

Lembrei-me de um documentário (Let The Good Times Roll) em que Bo Diddley aparece cozinhando em seu camarim. Ele contou uma história de quando estava com fome e foi a um restaurante e pediu um sanduíche de queijo. Mas, o restaurante se recusou a atendê-lo porque ele era negro. Como resposta ele prometeu pra si mesmo que iria aprender a cozinhar pra nunca mais ter que passar por uma humilhação daquelas. 

Esta história de Bo Didley é incrível porque mostra que todo conhecimento é importante, emancipa e deve ser buscado. Os monstros que estão por aí é que perdem com atitudes estúpidas como a vivida por um gênio da música. Idiota do restaurante que perdeu a oportunidade de conviver 10 minutos com uma das pessoas mais brilhantes da história da humanidade.

Penso que esse exemplo serve também para reforçar a importância da culinária, da gastronomia em nossas vidas e, o quanto é importante conhecer um pouco. Não somos aqui grandes conhecedores, mas estamos aprendendo e vivemos melhor com o conhecimento raso que temos. 

Vivo diariamente exemplo disso. Quem sabe cozinhar e come em self service por aí, sabe escolher melhor seu prato. Sabe notar a cara do alimento, se está meio murcho, com a “cara boa ou não”, se o alimento está ressecado e etc. Digo isso, pois convivo com gente que não costuma cozinhar e, sempre se dá mal na hora de montar seu almoço. Depois vive uma tarde “estranha” no trabalho porque comeu algo errado. ehehehhe

Enfim, pra mim o conhecimento culinário deveria estar nas escolas. Todos nós deveríamos aprender a cozinhar na escola, plantar algumas hortaliças, legumes e frutas. Mas, nosso modelo de escola ainda é, em geral, muito ruim e não valoriza conhecimentos diversos. 

Mas, voltando ao causo do hambúrguer, com uma razão muito menos nobre eu também me virei para fazer algo que gostaria de "experienciar".

Tenho boa memória pra certas coisas e me lembro um pouco do cardápio do Dinner, assim fui ao supermercado e pedi 400g de Patinho moído juntamente com 100g de Calabreza. Há várias combinações possíveis. (os mais chiques que contêm picanha, também podemos pedir pra moer um pouco de bacon, enfim defumados que ajudam a dar um sabor diferente) 

Em casa misturei cebolinha, cebola, alho, as carnes moídas juntamente, sal, dois ovos e um pouco de farinha de rosca pra dar o ponto. Mas, me deu uma coceira pra ir mais fundo e tentar acertar um gostinho diferente que já experimentei em carnes moídas de esfihas. Aí me lembrei do ingrediente: CANELA! Meu tio há algum tempo atrás me disse que “vai” canela no preparo de uma esfiha caprichada. 

Juntei tudo, fiz bolas grandes, achatei. Comprei um pão bacana, cortei dois tipos de queijo diferente, um fresco e muçarela, ajeitei a salada e finalizei o bichão.


Nu ! Ficou bom ! E viva a independência !

Cintia Godoi